
Uma história de amor não é uma história de amor. É no mínimo duas: a dele e a dela. E desde quando alguém sabe o que se passa do outro lado? E não era isso o tempero, o mistério? - pensava enquanto dirigia pela estradinha de terra em direção à casa de praia, o vento nos cabelos. Adorava quando o céu estava daquela cor, os tons de azul e verde colorindo o ar, os coqueiros, a mata e aquela imensidão de águas que se descortinava à sua frente. Não via a hora de afundar os pés na areia branca. Será que era isso que iria lembrar dali a dez anos? O cheiro de maresia limpando os pulmões de qualquer vestígio do perfume dele? Engraçado como o tempo mudava os contornos e colocava gigantes em tamanhos razoáveis, ou talvez ela houvesse aprendido a mergulhar mais em si mesma e a gostar do que via no espelho. Mas enquanto o tempo não chegava lá, pensava ao vestir o biquini e correr para a praia, nada como o sal para cicatrizar.
O telefone tocava insistentemente, sem resposta. Sabia que devia ter evitado colocar o celular na bolsa. Agora teria de se desfazer de tantos velhos hábitos, o café na cama, os longos passeios de domingo, as conversas madrugada adentro... Mas de qualquer forma, talvez as coisas já não fossem mais as mesmas há algum tempo, ela não sabia precisar, somente agora percebia o que poderiam significar aquelas mudanças sutis no tom de voz. Ninguém havia acreditado no acontecido. Os amigos ligavam, sem saber como falar com ela, e, claro, sempre havia aqueles interessados nos detalhes sórdidos.
Agora, com a passagem do tempo já em marcha (sim, porque tudo havia paralisado naqueles primeiros dias), ficava pensando o que ele acharia disso tudo, o que lhe contaria ao servir mais uma taça de pinot noir, pensava isto enquanto ela própria abria uma garrafa. Não é estranho como não sabemos nada? Lembrava ainda da primeira troca de olhares e de tantas boas recordações de todos aqueles anos – jamais imaginou aquele final. Logo ele, tão sincero, tão correto. Por que havia escolhido morrer assim, nos braços de outra, em um lugar qualquer?
O telefone tocava insistentemente, sem resposta. Sabia que devia ter evitado colocar o celular na bolsa. Agora teria de se desfazer de tantos velhos hábitos, o café na cama, os longos passeios de domingo, as conversas madrugada adentro... Mas de qualquer forma, talvez as coisas já não fossem mais as mesmas há algum tempo, ela não sabia precisar, somente agora percebia o que poderiam significar aquelas mudanças sutis no tom de voz. Ninguém havia acreditado no acontecido. Os amigos ligavam, sem saber como falar com ela, e, claro, sempre havia aqueles interessados nos detalhes sórdidos.
Agora, com a passagem do tempo já em marcha (sim, porque tudo havia paralisado naqueles primeiros dias), ficava pensando o que ele acharia disso tudo, o que lhe contaria ao servir mais uma taça de pinot noir, pensava isto enquanto ela própria abria uma garrafa. Não é estranho como não sabemos nada? Lembrava ainda da primeira troca de olhares e de tantas boas recordações de todos aqueles anos – jamais imaginou aquele final. Logo ele, tão sincero, tão correto. Por que havia escolhido morrer assim, nos braços de outra, em um lugar qualquer?
(Iêda Lima)
Imagem: obtida do clipart do powerpoint.
Uau, que lindo!...
ResponderExcluirFinal maravilhoso, vc escreve de forma encantadora, Ieda...
Disse bem, duas historias, a dele e a dela. Cada qual com sua visão. Abraços
ResponderExcluirOlá Iêda, para deixar minha visita registrada, aqui ficam os meus elogios ao seu blog e, principalmente, à uma escritora envolvente (esse conto, acima, é inspirador)! Bravo!
ResponderExcluirBjs
Oi Lilian, Vitor e Lelo,
ResponderExcluirfico feliz que vocês tenham gostado.
Lilian, o seu texto desta semana está imperdível.
Vitor, adorei o trabalho social que você faz.
Lelo, muito bom os textos que vc escreve para os jovens (e timidos).
bjs e uma ótima semana.
Iêda, muito boa a narrativa. É difícil criar novas abordagens neste tema já tão revisitado na literatura. Acho que você conseguiu.
ResponderExcluirNossa, não sabia que você era poeta. Lindo!
ResponderExcluirParabéns!!!!
Olá Kovacs,
ResponderExcluirMuito bom ter sua visita por aqui. Obrigada pelo elogio!
Passei em seu blog e deixei um comentário a respeito de Tchekov, autor que adoro.
Abraços,
Iêda
Marianna,
ResponderExcluirQue bom ver você por aqui!
Pois é, vc está descobrindo outros lados da minha pessoa. Volte sempre.
bjs,
Iêda
Oi, Iêda!
ResponderExcluirRealmente, uma história de amor na verdade são duas, tanto a dele, quanto a dela.
Adorei conhecer uma blogueira de BH. Temos o layout igualzinho tb...mais uma coincidência, né! Ôh, adorei o que escreveu de comentário lá no Café com Notícias. Concordo em gênero, número e grau. Gostaria muito, se pudesse é claro, de participar da promoção do II Congresso de Comunicação. Para mim, seria uma honra!
Abraço,
=]
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http://cafecomnoticias.blogspot.com
Olá Wander,
ResponderExcluirObrigada pela visita!
Que bom que gostou do comentário que deixei lá no Café. vou procurar saber mais desse Congresso.
Abraço,
Iêda
Há que se ter um ponto de partida: Referência, influência, tendência...
ResponderExcluirÉ o que se faz do barro que aponta para a qualidade da obra... Você, Iêda! O desenvolvimento do seu talento é simplesmente: Tocante; o domínio de sua caneta, com maestria e a sua sensibilidade de uma grande poetiza... Sem mencionar a visão maior da perfeita integração e harmonia na composição de seus trabalhos... É uma grata surpresa de que 'ouviremos' mais dessa 'baiana-mineira' quieta que partiu de Ilhéus com o curso traçado para realizações ambiciosas que certamente alcançará...
Um beijo saudoso.
Iêda.
ResponderExcluirEu vou escrever o que ?
Bonito, brilhante. Não... Tudo isto já foi dito.
E agora ? Como fico.
Não quero pagar mico.
Ah! Já sei: Continue.
Baitabraço
Felipe
Mauro,
ResponderExcluirSaudade de você, de Ilhéus e daquele tempo bom. É sempre uma alegria receber você por aqui!
Obrigada pelos elogios. Eu também gosto muito dos seus pescadores, barcos, das cenas e do vocabulário típico. Keep writing
beijos,
Iêda
Oi José Felipe,
ResponderExcluirObrigada pela força!!
Farei tudo para continuar à altura.
Baitabraço para você também!
Cara Iêda, teu texto me identificou em várias partes. As vezes penso no amor como uma espera até o longo tempo das recordações.
ResponderExcluirBelíssimo.
Beijos
Juan,
ResponderExcluirQue frase linda! Posso guardar?
beijos,
Iêda
Iêda, você escreve muito bem mesmo.Parece o começo de um bom livro que acabamos de começar, meio dispersos, até que a leitura nos prende e de repente nos submergirmos e não a mais nada la fora, o mundo se desenrola nas palavras do autor, esse é nosso mundo agora.Deliciosa empatia.Perfeito!
ResponderExcluirUm abraço.
Fernando,
ResponderExcluirMuito bom receber uma visita do Clube do Algodão!
Fico feliz que tenha gostado do texto.
um abraço,
Iêda
Olá, Iêda, estou aqui retribuindo a sua visita. Gostei muito desta sua casa, viu? Sensível, bonita, interessante, variada. Destaque praqueles seus pequenos poemas - poemínimos? Sou baiana de Salvador. Nunca morei na Bahia (minha família, sim), vivi por esse mundo afora, o coração sempre atado à nossa terra baiana. Tenho bons amigos em Belô. Abração.
ResponderExcluirOi Janaina,
ResponderExcluirSerá sempre bem-vinda aqui. Fico feliz que tenha gostado. Eu gostei imensamente de seus blogues.
Bjs,
Iêda
Áh, Iêda, que conto bom! Que dor no coração.
ResponderExcluirbeijos
Oi Vanessa,
ResponderExcluirObrigada por sua visita, por suas palavras e por nos colocar no Fio.
Volte sempre.
Abraços,
Iêda
"Por que havia escolhido morrer assim, nos braços de outra, em um lugar qualquer?"
ResponderExcluirComo eu me perguntei isso, Leda! Confesso, que de vez em quando, ainda me vejo querendo o saber o por quê.
gostei muito do seu blog ;*
Pois é Iasminne, eu também já me perguntei esses porquês, até que entendi que existem duas histórias e eu nunca vou saber a outra.
ResponderExcluirFico feliz que tenha gostado do blog, e espero encontrá-la aqui mais vezes.
Abraços,
Iêda
Só hoje percebi sua visita no meu cafofo.
ResponderExcluirAchei lindo o seu, cheio de ferramentas interessantes para blog, e claro, o principal, textos gostosos de ler. Digo gostosos pq sao leves, nao sao longos (os longos nao leio hehe), e convidativos a voltar.
Quanto ao texto, foi, talvez, a dor mais doída de se viver. Por acaso tb usei vários biquínis para cicatrizar minha dor. Me identifiquei com a narrativa.
ResponderExcluirOlá Cris,
ResponderExcluirQue bom que gostou daqui e do texto!
O seu cafofo é uma graça, com todas aquelas frases da Clarice Lispector (adoro ela!).
Aguardo outras visitas suas.
abraços,
Iêda
O amor... sempre lindo e tão doloroso, às vezes penoso. Lindo texto Iêda.
ResponderExcluirBeijos,
Berenice
Oi Berenice,
ResponderExcluirVocê disse bem. O amor doi, mas é lindo enquanto dura.
Adorei a visita!
Abraços,
Iêda